Como posso ter fé como um grão de mostarda?
Pergunta
Como posso ter fé como um grão de mostarda?
Resposta
Um dos ensinamentos mais profundos e distintivos do Livro de Mórmon aparece em Alma 32, onde o profeta Alma compara a fé ao plantio de uma semente. Ele incentiva as pessoas a “despertardes e exercitardes [suas] faculdades, pondo à prova as palavras [dele], e exercerdes uma partícula de fé”, a dar lugar no coração para que uma porção da palavra de Deus seja testada ao vivê-la. Nessa metáfora, a fé não é um processo contínuo de nutrir uma semente frágil por meio da ação.
Portanto, Alma distingue fé de conhecimento. Ele ensina que, se você plantar a semente e observar que ela brota, adquire uma certeza, ou conhecimento, de sua bondade; mas esse conhecimento se aplica apenas àquela coisa específica. A jornada da fé não termina repentinamente ao ver resultados iniciais. Então, em vez disso, ela passa a um novo nível: sua fé será agora provada em um grau mais elevado. Você está disposto a continuar nutrindo a jovem planta ou a abandonará para que murche?
Diferença entre o conhecimento e a fé
Os atuais membros da Igreja às vezes sentem uma pressão cultural para declarar “eu sei”, especialmente em testemunhos públicos. O poder espiritual não vem do conhecimento, mas da crença simples, muitas vezes subestimada. A fé prospera no espaço entre a compreensão parcial e a certeza perfeita. Como o próprio Salvador disse a Tomé:
“Bem-aventurados os que não viram, e creram.” (João 20:29)
A fé não é ausência de evidência, nem é cega. Em vez disso, é uma resposta escolhida diante de evidências incompletas, a disposição de agir sem ver plenamente. De esperar mesmo na incerteza. O Livro de Mórmon ensina:
“Fé não é ter um perfeito conhecimento das coisas; portanto, se tendes fé, tendes esperança nas coisas que se não veem e que são verdadeiras.” (Alma 32:21)
O processo de crescimento da fé é imperfeito, repetitivo e vulnerável. De acordo com os ensinamentos da Igreja, a jornada começa com pequenas ações. Assim, inicia com o desejo de acreditar, ainda que não seja mais do que um desejo de acreditar. Logo, agir segundo essa centelha é fundamental.
Uma vez que a semente está no solo e a pessoa começa a agir com fé, surge então a responsabilidade. A fé não floresce automaticamente. Como Alma diz:
“se a tratardes com muito cuidado, criará raiz e crescerá e dará frutos […] E assim, se não cultivardes a palavra, esperando com os olhos da fé o seu fruto, nunca podereis colher o fruto da árvore da vida.”
(Alma 32:37–40)
A principal ameaça ao crescimento raramente é externa; na maioria das vezes é a negligência ou o abandono do próprio cultivador.

A fé pode ser compreendida em etapas
- Plantar a semente: experimentar e começar a agir como se os princípios do evangelho fossem verdadeiros.
- Nutrir a semente: cuidar da fé por meio de oração, estudo das escrituras, serviço, busca de experiências espirituais e perseverança nas dificuldades.
- Proteger contra a negligência: reconhecer a responsabilidade pessoal de manter a fé viva e resistente ao “calor do sol” (desafios, dúvidas, distrações).
- Produzir frutos: experimentar as bênçãos, o crescimento de caráter e o poder espiritual provenientes de uma fé madura e bem nutrida. Nesse ponto, os frutos podem oferecer novas sementes para outras pessoas, dando continuidade ao ciclo.
Importante ressaltar que esse processo nunca está livre de oposição. Os ensinamentos da Igreja reconhecem a dúvida e o medo como aspectos naturais e até necessários da experiência humana. Superá-los não significa eliminar a incerteza, mas aprender a seguir adiante apesar dela. Coragem não é ausência de medo, mas agir fielmente mesmo com medo.
“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.” (Hebreus 11:6)
Passos práticos para nutrir a fé em meio à dúvida
- Permitir que o desejo de acreditar atue em nós e dê lugar no coração à palavra de Deus.
- Resistir ao impulso de abandonar a crença por causa da incerteza.
- Repetir ciclos de obediência e busca de conhecimento, linha sobre linha.
- Agir e fazer aquilo que se teme, sabendo que crescimento, coragem e certeza aumentam por meio da ação, não da contemplação passiva.
Grande parte da narrativa cultural sobre fé enfatiza alcançar certeza, mas os ensinamentos da Igreja reconhecem que a maioria dos discípulos vive entre esperança e conhecimento. Desafios, retrocessos e até crises de fé não são evidência de fracasso, mas de crescimento.

A fé como escolha diária
A fé, portanto, é uma escolha repetida, feita todos os dias diante da incerteza. Alguns princípios fundamentais para escolher a fé incluem:
- Orar por fé: embora seja um dom de Deus, é apropriado pedir que ela aumente. A fé cresce pela prática ao agir, confiar e perseverar mesmo sem todas as respostas.
- Distinguir crença e ação: crença é intelectual; fé envolve ação. A fé vai além da crença, é um princípio de ação que impele ao compromisso e à perseverança.
- Abraçar a dúvida como oportunidade: a dúvida não é um inimigo a ser eliminado a qualquer custo, mas uma tensão na qual a fé pode florescer.
- Praticar paciência e humildade: abandonar a necessidade de controlar resultados e confiar que o crescimento espiritual pode ocorrer mesmo por meio da dor e dos retrocessos.
Uma semente no solo enfrenta muitos perigos, como a seca, negligência, tempestades. Ainda assim, somente quando plantada e cuidada ela pode alcançar seu potencial. Da mesma forma, a fé não foi feita para ser mantida segura e sem uso. Sementes estão seguras no armário, mas não é para isso que servem. A fé precisa ser vivida, provada e cultivada para produzir frutos e não apenas para nós, mas para as futuras gerações.

Crises de fé no caminho
Momentos de crise são comuns na jornada da fé. Embora dolorosos, podem proporcionar oportunidades únicas de crescimento e maior proximidade com Deus.
Uma mulher descreveu uma crise causada por orações não respondidas por mais filhos, o que levou à raiva, à dúvida e ao esgotamento espiritual. Sua recuperação não foi imediata — exigiu humildade, paciência, abandono de expectativas pessoais e confiança no tempo de Deus.
Ela resumiu sua cura em três lições:
1. Humildade e paciência
Abandonar ideias preconcebidas sobre o resultado “correto” e abrir-se à vontade de Deus.
2. Engajamento ativo
Continuar hábitos de fé, frequentar a igreja, estudar as escrituras, servir, mesmo quando o coração está pesado.
3. Perspectiva
Reconhecer que respostas e bênçãos finais podem estar no futuro e que as lutas atuais podem produzir sabedoria e resiliência.
Portanto, esses relatos ilustram que a fé é menos um destino e mais uma jornada, marcada por ciclos de dúvida e renovação, retrocessos e perseverança. Conforme o Élder Richard G. Scott observou:
“A humildade é essencial para a aquisição do conhecimento espiritual. Ser humilde é ser capaz de aprender. A humildade permite que sejamos instruídos pelo Espírito e aprendamos das fontes inspiradas do Senhor, tais como as escrituras. A semente do crescimento pessoal e da compreensão germinará e florescerá no solo fértil da humildade. Seu fruto é o conhecimento espiritual que nos guiará neste mundo e no mundo vindouro.”
Fonte: AskGramps
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Post original de Maisfé.org
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