O que a ressonância magnética pode nos ensinar sobre a Expiação e o Sacramento
Existem quatro forças fundamentais que regem o universo: a força nuclear fraca, a força nuclear forte, a gravidade e a força eletromagnética. São elas que explicam desde a energia do sol até o funcionamento de um simples ímã, e também podem nos ajudar a entender sobre a Expiação de Jesus Cristo e o sacramento.
A ressonância magnética é uma tecnologia que usa um campo magnético forte e ondas de rádio para produzir imagens detalhadas do interior do corpo humano. Dentro do aparelho, o campo magnético faz com que os prótons do corpo se alinhem em uma direção específica. Ondas de rádio, então, desalinham temporariamente esses prótons, e quando são desligadas, os prótons voltam a se alinhar com o campo magnético, emitindo sinais que formam a imagem.
Fora do alcance desse campo, a uns 15 metros de distância, por exemplo, os prótons do corpo ficam orientados de forma aleatória. É só dentro do campo magnético que existe alinhamento. Em outras palavras: distância gera desalinhamento; proximidade gera alinhamento.
Alinhar-se com Jesus Cristo funciona de forma parecida: quando nos afastamos Dele, ficamos desalinhados. Mas há uma diferença importante em relação à ressonância magnética: proximidade física não é suficiente. Tanto João quanto Judas estiveram fisicamente perto de Cristo, mas tiveram alinhamentos espirituais completamente diferentes com Ele. A proximidade que importa não é física, vem por meio de convênios, arrependimento e da reconciliação possibilitada pela Expiação.
O que significa estar “desalinhado” com Deus
Todos nós, em algum momento, nos afastamos de Deus. É o que o profeta Néfi ensinou ao convidar seus irmãos a se reconciliarem com a vontade de Deus, lembrando que “é somente pela graça de Deus que sois salvos, depois de tudo o que puderdes fazer” (2 Néfi 25:23).
E o que fazemos quando percebemos que estamos desalinhados com Deus? Nos voltamos para Ele. Damos um passo em Sua direção. Nos levantamos quando caímos. Oramos. Ouvimos Suas palavras. Continuamos tentando. Esse realinhamento, essa reconciliação, vem por meio de submeter nossa vontade à de Deus, por meio de atos de arrependimento sincero e da graça que Ele oferece.
O apóstolo Paulo ensinou algo parecido aos efésios, ao dizer que é o sangue de Cristo que nos aproxima de Deus depois de estarmos distantes (Efésios 2:13). E o próprio Salvador explicou por que Sua expiação tem esse poder de nos atrair: “Meu Pai enviou-me para que eu fosse levantado na cruz; e depois que eu fosse levantado na cruz, [pudesse] atrair a mim todos os homens” (3 Néfi 27:14–15).

“Expiação” é, literalmente, “tornar-se um”
A palavra “expiação”, em inglês (atonement), pode ser lida como at-one-ment, “tornar-se um”, estar em concordância. A Expiação de Jesus Cristo foi um dom sagrado e santificador que nos dá o poder de estarmos de acordo com Deus, de sermos um com Ele, assim como o próprio Salvador pediu em Sua grande oração intercessória (ver João 17).
Deus não muda; é a Expiação de Cristo que nos transforma, alinhando-nos a Ele. Em última análise, a Expiação é uma manifestação do amor de Deus por nós, um amor com poder não apenas de nos alinhar com Ele, mas de nos tornar semelhantes a Ele.
O profeta Abinadi descreveu esse amor de forma comovente ao ensinar como Cristo, tendo rompido as ligaduras da morte, “[ascendeu] ao céu, tendo as entranhas cheias de misericórdia; estando cheio de compaixão pelos filhos dos homens; interpondo-se entre eles e a justiça; (…) tomado sobre si as iniquidades e transgressões deles, havendo-os redimido e satisfeito as exigências da justiça” (Mosias 15:8–9).
O que o jejum tem a ver com o Dia da Expiação judaico
O povo judeu tem um dia dedicado a se lembrar mais plenamente de Deus e buscar a santidade: o Yom Kipur, o “Dia da Expiação”, considerado o dia mais sagrado do judaísmo, um dia de arrependimento e sacrifício. Na Igreja, guardamos algo parecido em menor escala todos os meses, quando jejuamos. O sacrifício de pão e água pode ser oferecido em gratidão pelo sacrifício do Pão da Vida e da Água Viva.
Junto a ele, oferecemos outros sacrifícios: desejos egoístas, pecados, um coração quebrantado e um espírito contrito. Em troca, vem a promessa de um batismo “de fogo e do Espírito Santo” (ver 3 Néfi 9:20). Cada sacrifício que dedicamos a Deus é um sinal de arrependimento, de nos voltarmos para Ele e nos lembrarmos da Expiação de Cristo.
Propiciação: o processo que nos dá o favor de Deus
Além de “expiação”, outra palavra pouco observada para descrever o que Cristo fez por nós é “propiciação”. Paulo ensinou que Deus apresentou Jesus Cristo “para ser propiciação, pela fé no seu sangue” (Romanos 3:25).
Propiciação é o ato de apaziguar, de conquistar um favor, sugere um processo ativo, alguém intercedendo por nós, satisfazendo as exigências da justiça em nosso favor. Mas há mais: propiciação também significa que passamos a receber o favor de Deus, não apenas ficamos isentos de culpa, mas ganhamos bênçãos, dons e poder.
Isso acontece mesmo sendo nós, como ensinou o rei Benjamim, “servos inúteis” (ver Mosias 2:21) — porque, como escreveu Paulo aos romanos, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). Néfi ensinou o mesmo princípio: nada do que fazemos é suficiente, por si só, para nos reconciliar com Deus, só a graça oferecida por meio da Expiação de Cristo tem esse poder de propiciação (ver 2 Néfi 25:23).
Obedecer à lei de Moisés ou aos mandamentos não basta para nos salvar; só Cristo pode fazê-lo, intercedendo por nós. O preço dessa expiação foi imenso, infinito, até. O próprio Salvador descreveu esse sofrimento:
“Eu, Deus, sofri essas coisas por todos (…) sofrimento que fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito, e desejasse não ter de beber a amarga taça e recuar — Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens” (Doutrina e Convênios 19:16–19).

Convênios: sacrifício, nascimento e templo
Somos todos convidados a agir para receber mais plenamente o favor de Deus. Joseph Smith ensinou que “nascer de novo vem por meio do Espírito de Deus, mediante ordenanças”. Ordenanças e convênios nos ligam a Deus, e chegam em momentos diferentes, para pessoas diferentes.
Alguns membros “nascem no convênio” e, desde o nascimento, já participam do convênio selador que liga filhos, pais e Deus. Outros recebem o primeiro convênio pessoal apenas no batismo, seja aos 8 ou aos 108 anos — mas, seja qual for o momento, o convênio é o mesmo, e as promessas também. Conforme crescemos, somos convidados a receber ainda mais convênios, culminando naqueles que fazemos no templo.
Esse padrão já aparece no relato do Jardim do Éden, que funcionava como um templo para Adão e Eva. Depois de transgredirem um mandamento de Deus, “os olhos de ambos foram abertos e eles perceberam que estavam nus. E costuraram folhas de figueira e fizeram aventais para si” (Moisés 4:13).
Como já observou a escritora Camille Fronk Olsen, Adão e Eva perceberam, naquele momento, que precisavam de uma cobertura — e, em hebraico, a própria palavra usada para “cobrir” (kaphar) às vezes também é traduzida como “expiação”.
A tentativa deles de se cobrir com folhas de figueira, porém, não foi suficiente. Antes de deixarem o jardim, foi o próprio Senhor quem lhes proveu uma cobertura, uma túnica de pele animal, que custou a vida daquele animal. É um simbolismo poderoso: o Cordeiro de Deus foi quem, por meio de um sacrifício, cobriu Adão e Eva ao saírem do jardim, da mesma forma como o Senhor nos protege e cobre nossos pecados e nossas dívidas por meio do arrependimento.

O que significa, de fato, a palavra “sacramento”
Mesmo depois de recebermos todos os convênios ligados às ordenanças, todo domingo temos a oportunidade de renová-los ao participar do sacramento. A palavra “sacramento” vem do francês sacrement, que vem do latim sacramentum, um juramento solene, derivado de sacrare (consagrar) e sacer (sagrado).
Às vezes, “sacramento” também é usado para traduzir o grego mystērion, que significa mistério. Durante o sacramento, nos conectamos com os mistérios de Deus ao renovarmos, por meio de um juramento solene, os convênios que fazemos com Ele.
Nosso juramento é estarmos dispostos a tomar sobre nós o nome de Cristo, a disposição é o começo, ainda que não recebamos o nome automaticamente. Também prometemos sempre nos lembrar Dele e guardar Seus mandamentos: pensamento e ação, ouvir e dar ouvidos.
Em troca, a promessa solene de Deus é que, se fizermos essas coisas, Seu Espírito estará sempre conosco, não só quando estamos conscientes Dele, mas em todos os momentos. Só perdemos esse Espírito quando nos afastamos dEle, por meio do pecado ou da transgressão.
O élder Dale G. Renlund ensinou isso mesmo em uma Conferência Geral:
“As preciosas bênçãos do sacramento estão a nosso alcance toda vez que participamos da reunião sacramental. Recebemos a promessa de que o Espírito Santo será nosso companheiro constante se tratarmos o sacramento da mesma maneira como um recém-converso trata o batismo e a confirmação, com um coração quebrantado e um espírito contrito e com a determinação de cumprir esse convênio batismal. O Espírito Santo nos abençoa com Seu poder santificador para que possamos sempre conservar a remissão de nossos pecados, semana após semana.”
O sacramento nos torna íntegros
Para entendermos ainda mais, vale voltar a uma das raízes da palavra “sacramento”: sacrare, que também significa “tornar santo”. Em inglês, essa ideia se conecta à palavra hallow (santificar), que remonta a termos do inglês antigo ligados a consagrar e a estar inteiro, saudável, livre de pecado.
Em certo sentido, o sacramento preenche vazios, nos torna íntegros e cura danos por meio do sangue expiatório de Jesus Cristo. É uma cerimônia sagrada de purificação que aponta para Cristo e nos convida à cura que Ele oferece, ajudando-nos, por meio do Espírito Santo, a sempre conservar a remissão de nossos pecados.
Sobre a importância de participar regularmente do sacramento, o Élder Renlund também ensinou:
“Nosso alicerce espiritual é fortalecido por meio do arrependimento e da preparação consciente para tomar o sacramento dignamente. Somente com um sólido alicerce espiritual podemos lidar com as adversidades metafóricas de chuvas, ventos e inundações que enfrentamos em nossa vida. (…) nosso alicerce espiritual enfraquece quando voluntariamente não participamos da reunião sacramental ou quando não nos concentramos no Salvador durante o sacramento.”
O sacramento não é uma “ordenança salvadora”, no sentido de que não precisamos recebê-la para retornar a viver com Deus, mas é uma ordenança santificadora, parte do processo de arrependimento e uma extensão da própria Expiação. Participar dignamente, ou seja, com um espírito arrependido, é parte de fortalecer nosso alicerce espiritual, construído sobre Jesus Cristo.

Um testemunho e um convite final
Um testemunho e um convite: de que Deus vive e nos ama; de que Jesus Cristo Se ofereceu como um sacrifício de cura e conforto pelo pecado e pela dor; de que o sangue da Expiação de Cristo nos reconcilia e nos alinha com Deus, atraindo a todos para Ele, e também nos santifica.
Assim como a luz e os campos magnéticos fazem parte de um mesmo campo eletromagnético, regido pela força eletromagnética, temos o convite para caminharmos nesses campos iluminados e iluminadores do Senhor, aproximando-nos Dele e nos tornando cada vez mais alinhados com Ele, em uma caminhada de convênio e arrependimento.
Esse també é um convite para nos aproximarmos do sacramento, que cura, fortalece e santifica, com um coração quebrantado e um espírito contrito, reservando esse momento para nos concentrarmos em Cristo e recebermos uma porção a mais de Seu conforto. Deus cumpre Seus convênios. Deus nos ama e deseja que tenhamos grande alegria nesta vida e na próxima.
Fonte: bystudyandfaith
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